Com a chegada das férias escolares a temporada de praias na região de Palmas se intensifica. Por fim de semana é registrada a presença de cerca de 20 mil visitantes nas praias da Graciosa, Prata, Caju e das Arnos. Visitantes de todo país querem conhecer o mais novo cartão postal da cidade, que são as praias permanentes resultado do enchimento do lago de Lajeado que teve início em 2001.
Olagoabrangesete municípios e tem extensão de 170 quilômetros. Mas tirando as belezas naturais surgidas na área do antigo Rio Tocantins que cortava Palmas, surgiram inúmeros impactos ambientais, entre eles os freqüentes ataques de piranhas que deixam os banhistas apreensivos.
É importante que o visitante tenha alguns cuidados na hora do mergulho que poderá se transformar em um acidente, com ferimentos principalmente nos pés. Entretanto, mordidas também ocorrem em outras partes do corpo. Como foi o caso de Bruno Almeida de 12 anos.
“Meu colega, gritou dizendo que tinha machucado o pé na água. E quando eu estava perto dele senti uma picada na minha mão. Ainda vi o peixe saindo rápido. Aí foi só sangue” conta o estudante que foi atacado por uma piranha no último fim de semana.
João Maciel pratica pesca amadora na região de Palmas, ele disse que desde 2005 tem aumentado o cardume de piranhas no reservatório.
“Muitas vezes vi banhistas serem atacados na água e isso é muito chato, principalmente porque afugenta o turista que jamais volta num lugar onde é atacado, mordido por esse peixe que é um dos que tem dentes mais afiados.
Pesquisadores da UFT já identificaram cinco espécies de piranhas no lago. Eles dizem que uma delas, conhecida como piranha-branca, é a que estaria atacando os banhistas. Ela chega a medir 25 centímetros e é mais agressiva do que as outras. Os biólogos fizeram uma contagem das piranhas antes e depois da construção da usina.
E constataram que o número de piranhas-brancas na área estudada dobrou.
Carlos Sérgio Augustino é doutor em ecologia e pesquisador da Universidade Federal do Tocantins, para ele é no período reprodutivo que as piranhas atacam para proteger a prole. Ele ressalta também que para diagnosticar o problema das piranhas é preciso coletar amostras. Um trabalho amplo que exige um tempo de monitoramento, mas que só através desse estudo pode-se ter sucesso na resolução do problema.
Augustino ainda relata que “alguns anos atrás, nos primeiros ataques, a universidade foi chamada para avaliar e discutir o que estava acontecendo. Então foi feita uma proposta de estudo, apresentado um orçamento (para a secretaria do Meio Ambiente) que não deu em nada, não aprovaram”. “Sempre que há mudança de ambiente, principalmente na construção de reservatórios, é esperado um aumento das populações de piranha”, diz a bióloga Elineide Marques, da Universidade Federal do Tocantins.
Para entender o porquê de tantos ataques em Palmas, biólogos capturaram piranhas, analisaram o estômago delas e descobriram que 38% dos peixes tinham comido arroz cozido.
Ou seja, as piranhas estão sendo atraídas por restos de comida deixados pelos próprios banhistas. Outro fator pode estar atraindo as piranhas é o barulho feito pelos.
A princípio os ataques aconteciam nas praias do Prata e da Graciosa, mas com o tempo os acidentes foram acontecendo em outras áreas de banho ao longo do lago. Segundo o corpo de bombeiros em 2007 foram 202 ataques. Já em 2008 baixou para 16 ocorrências. No ano passado os ataques subiram para 190 casos.